Tuesday, 24 June 2008

Entre os dois "mon coeur balance"



"Vamos lá descer, vais evitar aquelas árvores todas."
"Vais ser capaz, paras antes de chegar ao precipício lá em baixo."
"Não vais até ao lago. Aliás, o gelo deve estar muito espesso. Bora descer."
"O meu cérebro está a tentar matar-me."

Às vezes sentimos que arriscamos pouco, outras que arriscamos muito. A parte mais engraçada é o processo de decisão. Muitas vezes arrependemo-nos de coisas que não fazemos, outras de coisas que fizemos. Quando não sabemos se devemos ou não, pedimos conselhos. Na grande maioria das vezes já sabemos o que queremos ouvir mas, é so para ouvir da boca de outra pessoa como uma confirmação ou "empurrão" montanha abaixo. Não devemos fazer as nossas escolhas baseadas no medo que temos do caminho mas sim na delícia que nos espera no destino. A resposta a tudo esta dentro de nós, só temos de ouvir com atenção. Temos de aferir com cuidado o que se encontra na base, se vale, ou não, perder o que está no cume. Se vale, não devemos ter medo de dar sozinhos aquele golpe que nos lança montanha abaixo, enfrentando os perigos quando o que nos espera na base, nos fará mais felizes que aquilo que está no cume.
"Is it better to be safe than sorry?"

Thursday, 19 June 2008

Circle of Life




Para ver e ouvir com as colunas no máximo!
Sem prender a inevitável comoção.

Wednesday, 18 June 2008

A Alma não é Pequena



"Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
É lei da natureza:
Queres ser bela? – ama.


Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E estátua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura...
Mas Beleza é isso? – Não; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver,
– Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que estão por nascer –
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! – O mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

É a luz divina
que nunca mudou,
É luz ... é a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.
"

Almeida Garrett - Beleza

______________ " ______________

Percorrer a poesia portuguesa dos últimos dois séculos é a proposta desta inovadora antologia.
Neste pequeno livro encontramos uma panorâmica correcta desta nobre arte, escolhida e assinalada para caber em mensagens SMS. De Almeida Garrett a Camilo Pessanha, Fernando Pessoa a Maria do Rosário Pedreira, 100 poetas portugueses propõem-nos as mais magníficas mensagens retiradas do esplendor das suas obras.

Wednesday, 11 June 2008

Decisões



Ao longo da vida temos de tomar tantas decisões que, quer queiramos quer não, influencia o nosso carácter, justapondo-se uma a uma à essência do nosso ser definindo a nossa personalidade. Houve tantas coisas que quis fazer mas, uma moralidade castigadora abalou-me o espírito e privou-me de prazeres que ninguém devia ser proibido. Já tomei decisões que me custaram muito a tomar desprovendo-me de coisas que adoro. Será que tinha outras intenções? Nem eu sei! Só sei que me transformava numa pessoa melhor. Mas essas decisões tinham que ser tomadas, para não ter de encarar no espelho um vilão daqueles muito maus que sopram infelicidade. Sempre preferi viver com a minha, do que provocar a dos outros. Sempre fui a minha própria rocha.

Revistas acumuladas



Tenho um monte de revistas acumuladas que não estou a conseguir ler. Às vezes por falta de paciência, outras vezes por falta de tempo e, grande parte das vezes, por pura preguiça e anteposição pelo livro que estou a ler. Compro regularmente uma selecção de revistas com "coisas" que acho interessantes, nomeadamente: crónicas, grandes reportagens, moda, música, cinema, carros, mulheres bonitas e uma panóplia de pequenos textos. Compro para satisfazer estes pequenos prazeres a Visão, a GQ, o semanário Expresso etc. Acontece que por vezes, não lhes dou vazão e, acabo por acumular um monte de revistas que vão perdendo a frescura literária com o passar do tempo. Dou por mim, quando encontro tempo, a despachá-las sem a atenção que lhes mereço, nem que seja pelo preço que me custaram no meu hábito consumista de jornais revistas e revistinhas. Folheio com algum enfado e, só me prendo pelas "gordas" ou por uma imagem bonita. É impressionante o poder que tem uma imagem! É capaz de nos prender num artigo ou crónica, nos vender o produto mais inútil, nos lembrar que temos sede, vincar a nossa decisão no destino das próximas férias, ajudar na escolha de um livro ou filme e ainda, fazer com que nos apaixonemos pelos digitalmente alterados modelos das revistas. A boa imagem é o segredo da publicidade. A imagem "vende" tudo, até nós próprios!

Sunday, 25 May 2008

Boundin'




"Sometimes you're up and sometimes you're down. When you find that you're down. Well! Just look around, you still got a body, good legs and fine feet, get you head in the right place and Hey! You're complete!!!"

So nice to know there are jackalopes around.

Monday, 19 May 2008

Tempos desesperados exigem medidas desesperadas...




The times they are a-changin'

"Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'."





Já me tinha esquecido como é bom tocar esta música quando estou deprimido...
Obrigado por existirem.

Saturday, 17 May 2008

Wednesday, 7 May 2008

Erotica Romana


I

"Falai-me, pedras, ó falai, altos palácios!
Ruas, dizei uma palavra! Génio, não te moves?
Sim, tudo tem alma entre os teus muros sagrados,
Roma Eterna, só para mim tudo se cala ainda.
Oh, quem me sussurra, em que janela avisto eu
A criatura graciosa que me incendeia e me sacia?
Não adivinho ainda os caminhos pelos quais sempre de novo irei
Para ela e dela regressarei, sacrificando-lhe assim o precioso
[tempo.

Ainda contemplo igrejas e palácios, ruínas e pilares
Como um homem prudente que aproveita a viagem.
Mas em breve isso acabará, e será um único templo,
O do Amor, a receber o predestinado.
És sem dúvida o mundo, ó Roma, mas sem o amor
O mundo não seria o mundo, e também Roma não seria Roma."

II

"Mais bela do que esperava é a sorte que me foi dada,
Com astúcia fez-me o Amor ignorar todos os palácios.
Ele há muito sabe, e também eu próprio descobri
O que um aposento doirado oculta atrás do papel pintado.
Chamai-lhe cego e pueril e impertinente - eu conheço-te bem,
Amor perspicaz, deus jamais subornável!
A nós não seduziram as majestosas fachadas,
Nem a varanda elegante, nem o sóbrio pátio.

Por elas passámos apressados, e foi uma porta baixa e estreita
Que acolheu o guia, que acolheu o desejoso.
Tudo me concede ele ali, tudo me ajuda a receber
E dispersa rosas mais frescas com cada dia.
Não tenho eu aqui o céu? - Que ofereces tu, bela Borghese,
Nipotina, que mais ofereces tu ao teu amado?
Banquetes e sociedade, passeios, jogos, ópera e bailes
Só roubam o tempo mais conveniente ao Amor.
Repugnam-me esplendor e cerimónias, pois afinal
Não se levantará a saia de brocado tal como a de lã?
E se ela quiser acomodar o amado entre os seus seios,
Não desejará ele libertá-la logo de todos os adornos?
Não deverão jóias e rendas, estofos e ganchos
Cair todos antes de ele poder sentir a bela?
Mais perto a teremos! E já a tua sainha de lã desliza
Em pregas para o chão quando o amigo a desprende.
Apressado leva a rapariga, em leve linho envolvida,
Como o faria uma ama, para o leito gracejando.
Sem cortinados de seda e sem colchões bordados
Acomodam-se os dois no quarto vazio.
Toma então Júpiter mais da sua Juno
E delicie-se o mortal, se mais o conseguir.
Deleitam-nos os prazeres do verdadeiro Amor nu
E o doce ranger da cama que baloiça."


Johann Wolfgang von
Goethe, "Erotica Romana".


Duas das primeira Elegias que compõem a obra lasciva de Goethe "Erotica Romana".
É simplesmente Genial esta obra do autor de outras minhas favoritas: "Fausto" e "Os sofrimentos do jovem Werther".

Thursday, 1 May 2008

Blade Runner




(O meu filme preferido...)