Monday, 29 September 2008

Bye Bye...




A carga pronta e metida nos contentores
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo
É uma escolha que se faz
O passado foi lá atrás
Num voo nocturno num cargueiro espacial
Não voa nada mal isto onde vou
P'lo espaço fundo
Mudaram todas as cores
Rugem baixinho os motores
E numa força invencível
Deixo a cidade natal
Não voa nada mal
Não voa nada mal

Pela certeza dum bocado de treva
De novo Adão e Eva a renascer
No outro mundo
Voltar a zero num planeta distante
Memória de elefante talvez
O outro mundo
É uma escolha que se faz
O passado foi lá atrás
E nasce de novo o dia
Nesta nave de Noé
Um pouco de fé...

Xutos & Pontapés - 'Contentores'

Friday, 26 September 2008

Errar é Humano



"Tens estado a atirar pedras dentro de casa?!"
"Por que raio é que haverias de fazer uma coisa dessas?!"
"Fraco material genético?"
"Mau palpite"

Por mais que tente evitar, acabo sempre por partir tudo!!! Se calhar evito demais!!!

Estado de alma!


Yeahhh!

Memória


Eu também desligava assim a luz!

All Will Be Well




The new day dawns
And I am practicing my purpose once again
It is fresh and it is fruitful if I win
but if I lose, ooh, I don't know
I'll be tired but I will turn and I will go
Only guessing 'til I get there then I'll know
Ohh, I will know

And all the children walking home past the factories
Can see the light that's shining in my window
As I write this song to you
And all the cars running fast along the interstate
Can feel the love that radiates
Illuminating what I know is true

And all will be well
Even after all the promises you've broken to yourself
All will be well
You can ask me how but only time will tell

The winter's cold
But the snow still lightly settles on the trees
And a mess is still a moment I can seize until I know
That all will be well
Even though sometimes this is hard to tell
And the fight is just as frustrating as hell
All will be well

And all the children walking home past the factories
Can see the light that's shining in my window
As I write this song to you
And all the cars running fast along the interstate
Can feel the love that radiates
Illuminating what I know is true

And all will be well
Even after all the promises you've broken to yourself
All will be well
You can ask me how but only time will tell

You got to keep it up
And don't give up
And chase your dreams
And you will find
All in time

And all the children walking home past the factories
Can see the light that's shining in my window
As I write this song to you
And all the cars running fast along the interstate
Can feel the love that radiates
Illuminating what I know is true

And all will be well
Even after all the promises you've broken to yourself
All will be well
You can ask me how but only time will tell

All will be well
Even after all the promises you've broken to yourself
All will be well
You can ask me how but only time will tell
You can ask me how but only time will tell

Gabe Dixon - 'All Will Be Well'

Inevitável


Já sabia que isto ia acontecer! Estava a demorar mas com o aproximar da hora começam a revelar os sentimentos mais recalcados. Não sou propriamente uma pessoa faladora, partindo do momento em que ao pé de mim se calam, por estarem com o pensamento carregado, eu também não consigo levantar assunto. Percebo que a atenção está alheia e sou incapaz de conversas de circunstância, desinteresso-me e penso noutra coisa, prefiro estar calado. Nunca pensei que me atingisse com tamanha agressividade mas, sempre achei que mais tarde ou mais cedo, viria uma revelação mais incómoda fruto do tal pensamento carregado ao assunto do meu desancorar. Daquelas que é preciso ganhar coragem para sair. E com o aproximar da hora tem mesmo de sair senão rebenta e causa hemorragias internas. Espero conseguir lidar com tudo isso através da compreensão e atribuição de culpa própria (sempre me assustei com a capacidade que tenho de pedir desculpa e carregar culpas nas costas, mesmo sem as ter, em virtude de ficar tudo bem com o próximo). Perdoem-me a mudez e o facto de ser uma pessoa muito desapegada. Tenho medo de perder amigos por causa de uma decisão radical de me por a milhas deste lugar. De repente acho que sou mau amigo mas, analisando a frio, vejo que tenho apenas pessoas que gostam mesmo de mim. É estranho mas os verdadeiros amigos sentem estas coisas de uma maneira tão pessoal que chega a ser agressiva. Contudo queria ir tranquilo para apaziguar o espírito que vai pesado e não com medo de, se voltar, não ter nada a que voltar.

Thursday, 25 September 2008

Never underestimate the effect of a pretty face!



"Schroeder has quit the team... Without a good catcher we're nothing"
"Maybe I can talk to him, Charlie Brown... I can be a pretty persuasive when I want to be..."
"I doubt if there's anything you can do, Lucy..."
"Oh? Never underestimate the effect of a pretty face!"

Tuesday, 23 September 2008

C´est un Blues




L’amour, hum hum, pas pour moi,
Tous ces “toujours”,
C’est pas net, ça joue des tours,
Ca s’approche sans se montrer,
Comme un traître de velours,
Ca me blesse ou me lasse selon les jours

L’amour, hum hum, ça ne vaut rien,
Ça m’inquiète de tout,
Et ça se déguise en doux,
Quand ça gronde, quand ça me mord,
Alors oui, c’est pire que tout,
Car j’en veux, hum hum, plus encore,

Pourquoi faire ce tas de plaisirs, de frissons, de caresses, de pauvres promesses ?
A quoi bon se laisser reprendre
Le cour en chamade,
Ne rien y comprendre,
C’est une embuscade,

L’amour ça ne va pas,
C’est pas du Saint Laurent,
Ca ne tombe pas parfaitement,
Si je ne trouve pas mon style ce n’est pas faute d’essayer,
Et l’amour j’laisse tomber !

A quoi bon ce tas de plaisirs, de frissons, de caresses, de pauvres promesses ?
Pourquoi faire se laisser reprendre,
Le cour en chamade,
Ne rien y comprendre,
C’est une embuscade,

L’amour, hum hum, j’en veux pas
J’préfère de temps de temps
Je préfère le goût du vent
Le goût étrange et doux de la peau de mes amants,
Mais l’amour, hum hum, pas vraiment!

Carla Bruni - '
L'amour'

Friday, 19 September 2008

O Cão



Perto da Praça de Espanha, em Lisboa, vê-se um cão, ao longe (os animais são assim, quase verticais) e só depois se vê o que está em baixo, no chão. O cão guarda algo como um bom cão de guarda. À primeira vista, em baixo dele, roupa apenas, um amontoado. Mas qual o cão que guarda tecidos? O cão guarda um homem, meu caro. Cão atencioso, gentil, olha para baixo e pergunta, naquele modo mudo animal: estás bem? Depois olha para cima e em redor: quem vem aí? Que ninguém se aproxime. O dócil cão está preparado para mostrar a maldade inteira que os amantes têm. Está tão ligado ao dono, tem tanto afecto por ele, que será capaz de exercer muita violência contra quem se aproximar. Para defender, atacará. [Por vezes, ao lado do cão, parecemos pertencer a uma espécie animal de ética mais baixa, mais mesquinha. Nesta situação, o cão é humano e mais vertical do que parece, até porque o homem quando dorme (ou está morto) abandona a pose de que nos orgulhamos.
Bem, mas não falemos do cão nem de quem dorme ou está morto – não, não estava morto, mexeu-se.]
Eis a história do mundo e também dos humanos: tudo o que amas pode ser, em parte, transferido para uma violência, para uma agressividade em relação ao resto do mundo. Amar alguém é estar preparado para odiar muitos, para os atacar, caso estes interfiram negativamente no amor em si (no processo) ou na coisa amada. O amor pois como coisa bela e alta e extraordinária, sim, mas apenas para quem é o sujeito ou o objecto do amor. O que fica de fora, de fora fica, isto é: transforma-se em potencial inimigo.
Por isso aquele cão assusta: tem humanidade a mais. Quando baixa a cabeça em direcção ao dono ama, quando a levanta está preparado para odiar.

Gonçalo M. Tavares in Visão

Thursday, 18 September 2008

Ninguém sabe o que fiz ontem



Toma-me meu mundo por perdido, vendo-me entregue a meu cuidado. Ignora-me, não me quer falar e eu sei porque… Quer que fique e, ou não têm coragem ou não se lembra de argumento. Sabe que não sei conversar sobre o tempo. Passa por mim mudo com pensamento fixo e bloqueado ao assunto do meu desancorar. Um desconforto exacerbado num silêncio forçado.

Não posso! São estratégias para iludir um coração vigilante nosso.
De gestos cheios de graça, belas vistas e doce riso querem meus olhos alimento.
Se me virem com meus males contente, são belos os fingimentos.
Doces enganos aos tristes pensamentos.

Acerca-se a hora a passos largos. Respiro fundo. Faço as malas, olho para a estante e digo para mim mesmo: “As flores vão comigo – não vá haver alguma dorzita de alma”.
Consciência limpa e coração ligeiro transportam este novo estrangeiro a Norte.
Talvez algo coincida comigo mesmo.
Se tudo fosse igual a ti, uma doçura estranha, que existe, eu sei! Nem que seja em mim.
É um espectro que me chama. A sua voz não me é familiar mas, pelo menos, tem braços para me abraçar.